Segunda-feira, Março 13, 2006
Mulheres, mulheres
Quase todos concordam que se todos os direitos femininos fossem respeitados não existiria um dia da mulher. A data de 8 de março foi escolhida durante uma conferência realizada na Dinamarca em 1910. E homenageia aproximadamente 130 mulheres que morreram em uma fábrica de Nova Iorque, em 1957, enquanto protestavam por melhorias na condição de trabalho.De lá pra cá foram muitas as lutas, porém as desigualdades – como ter salário inferior ao do homem mesmo no cumprimento da mesma tarefa – ainda são encontradas com facilidade em nossa sociedade.
Um dia desses no metrô, ouvi o triste comentário: “Pô, elas já conquistaram o mercado de trabalho, fazem de tudo, de motorista de caminhão a deputada federal, até delegacia própria elas têm, o que querem mais? Tem que fazer manifestação todo ano na
( Avenida) Paulista? O que mais elas querem?”.
Obviamente o comentário partiu de um homem, pouco situado com as conquistas e reivindicações do movimento feminino. Não é uma questão de quem tem mais o que, mas sim de respeito mútuo e condições igualitárias.
As manifestações nesse dia servem para dar visibilidade á luta constante de alguns movimentos em prol dos direitos das mulheres, e lembram à população, se é que isso se faz necessário, a existência do preconceito por gênero.
Os dados sobre a violência contra a mulher mostram que há muito ainda porque se lutar, e são extremamente preocupantes. De janeiro a maio de 2004 foram registrados 132 mil casos de violência contra mulheres no Estado de São Paulo, e apenas 241 homens foram presos.
Uma pesquisa realizada em 2003, pelo Instituto Perseu Abramo mostra que a cada 15 segundos uma mulher é agredida no Brasil. Só estes números mereciam alarde na Av. Paulista, todo dia. E mereceram também a atenção de muitos brasileiros que aderiram à Campanha do Laço Branco (White Ribbon Campaign), já existente em 30 países e que tem como lema “Homens pelo fim da violência contra as mulheres”.
A campanha nasceu em Montreal, Canadá, em 1989 quando um homem fuzilou as 14 mulheres da classe da escola Politécnica da cidade. Ele o fez já que não podia admitir que elas passaram no vestibular e ele não.
O tópico sobre a violência contra a mulher é tão importante na militância feminina que mereceu até um dia especial, 25 de novembro o Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra as Mulheres.
As condições da mulher negra são ainda mais precárias, estudos realizados por entidades ligadas aos direitos humanos - Justiça Global, Movimento Nacional de Direitos Humanos, etc. – revelam que a violação de direitos as atinge de maneira mais severa.
Todos esses fatores só constroem um pequeno recorte, mas já dão a dimensão da luta que ainda está por vir.
Sim, queremos muito mais.